Olá,
queridos!
Hoje,
vamos falar sobre o primeiro livro da escritora Clarice Lispector, gente eu amo
esta autora!
Mas
para quem não a conhece, Clarice, tem um estilo inconfundível e seu desejo foi
renovar o ato de escrever ficção, tal renovação a coloca fora dos padrões
convencionais do momento que era vivido pela literatura brasileira. O livro Perto
do Coração Selvagem foi o primeiro romance publicado da autora.
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| Perto do coração selvagem | Clarice Lispector | Páginas: 202 |
O romance conta a trajetória da personagem
Joana, e vou dizer a vocês, a personagem é bem complicada de se entender. Mas
aí vocês vão me dizer... Ah Malu é o primeiro livro da Clarice, por isso a
personagem não é bem estruturada! Bem, devo informar a vocês que os romances de
Clarice são bem complexos mesmo, e isto, também, vale para as personagens, que
na maioria das vezes são femininas (para falar a verdade não me lembro se tem
algum romance da Clarice que a personagem seja masculino), mas para aqueles que
gostam de desafios, indico os romances de Clarice Lispector. Chega de enrolação
e vamos ao que interessa rsrsrs.
Bom gente, no primeiro
capítulo do romance Joana encontra-se criança, uma criança muito agitada por
sinal, pois ela procura chamar a atenção de seu pai de alguma forma, seja
recitando poesia ou brincando de ser professora. A partir do segundo
capítulo ela já está adulta e neste momento começamos perceber os
questionamentos de Joana, pois apresenta certa inquietação quanto a sua
personalidade, bem como, se sente vazia:
“Nem
o prazer me daria tanto prazer quanto o mal, pensava ela surpreendida. Sentia
dentro de si um animal perfeito, cheio de inconsequências, de egoísmo e
vitalidade. Lembrou-se do marido que possivelmente a desconheceria nessa ideia.
Tentou relembrar a figura de Otávio. Mal, porém, sentia que ele saíra de casa,
ela se transformava, concentrava-se em si mesma e, como se apenas tivesse sido
interrompida por ele, continuava lentamente a viver o fio da infância,
esquecia-o e movia-se pelos aposentos profundamente só. Do bairro quieto, das
casas afastadas, não lhe chegavam ruídos. E, livre, nem ela mesma sabia o que
pensava.” (Trecho do livro)
É constatada ainda no
romance, a regressão de tempo, já que Joana relembra da tia morta e transpõe o
desejo de um dia ter sido admirada por ela, mesmo que depois fosse pisada e
repudiada. Para Joana a única emoção boa que ela sente é a piedade,
segundo ela este sentimento é o que a movimenta tanto para o ódio quanto para o
amor.
Ao
longo da narrativa sucessivas perdas ocorrem na vida de Joana, primeiramente, a
morte de sua mãe, deixando-a aos cuidados do pai – que por sinal mora sozinho e
ao que parece demonstra ter dificuldade em educar uma criança precoce, já que
Joana tem certa maturidade e não se contenta com qualquer resposta – a menina
cresce sem saber quem é a mãe. Joana só vai saber algo sobre sua mãe quando
ouve uma conversa de seu pai com um amigo chamado Alfredo. O pai fala para
Alfredo que a mãe de sua filha se chamava Elza. Ele relata ainda que esta tinha
raiva/desprezo pelas pessoas, mas ao mesmo tempo era boa, isso para ele era
difícil de entender, porém acabou se acostumando com isso. O pai revela ao
amigo a vontade de não querer que Joana se pareça com ele nem com a mãe,
prefere que a menina siga seu próprio caminho.
Enfim gente, no decorrer
do romance vão sendo demonstradas as diferentes faces de humor da personagem
principal, já que muitas vezes ou Joana está alegre ou está triste, outras
vezes ela demonstra momentos de ódio e de amor. O que posso dizer ainda a vocês
é que se faz necessário uma leitura atenta para não perder nenhum detalhe da
narrativa.
E aí gostaram? Vocês já
leram outro romance da escritora?



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